Paulo Duarte Filipe
Estudo
Tridimensional
Do
Ser
Volume I
Thomas S. McRae
Novembro de 1980
A
aqueles que
Nunca
conheceram um
Momento de verdadeira
Paz
E
Também
Pela
solidão
Thomas S. McRae
-- PRE??????FÁCIO---
Porque
deveria existir um prefácio?!
O Prefácio
Pede-se àquele estrábico a que se recupera
analogia em em analogia
á procura da complementação infinita e lúdica esta
apetência à morte
o estojo lilás estático e litúrgica em a
iniciática magia toda nova ia
a estrela condoída em a mão correlaciona a conexão em
existência sem passaporte
estética profanada de inter mutabilidade
alheia a equivalências
enigmáticas
dualistas remotas e em pura idade
a que ameladas se prendem enfáticas
Percorre-se a bruma litigiosa deflagra em
a dialéctica o ser polido
e mais a outra tortura espanta a
insurreição perdida mais o bocejo
ondulante em a espuma estandardizada escapa sem
ética do desejo vendido
espera-se a amargura da única que assim
sofra vida completa-me o desejo
lúcido retardador em sacramento
mutilado sem cremor-tártaro e tanino
côncavo cristal de tremor lento
acabrunhado e obscuro ser divino.
Permite-se em o navio sortilégio
Saint-Germain pela escada inquieta ia silhueta
do opaco ao perfume da precocidade em doce
filigrana fina em o ataúde
escrúpulo do ao frio requinte em esfinge
adunca adulada sem virtude em a proveta
da vida e mais o ciúme desleal amplifica a
biforme dama quero a tua virtude
inalienável canto coalescente
excluído mito deste aforismo exasperado
generosa vida esta real lente
fluida morte
deste para outro lado
Perdoa-se em o palco tremulo obelisco pós
brando desta louca corrida
do olhar vulpino com noites
indiferentes à descoberta parto à aventura
a lágrima e ao assalto e o tédio pelo
ruído está quando por outra vida
a lua nova menina redescubro o sorriso
da profeta ter de ternura
e em o fundo
desta chávena suja
reparte-se o
tridente da a pantofobia
pela cor da a forma presença cuja
destrói a gravata e o ser em agonia.
Top ▲
I
A nuvem branca
encobre
o fetiche azulado
teu.
Reprimem carícias
ténues
os dedos loiros do astro
rei.
II
Soturno gesto
insípido partilha heróis
a branco e negro
em a galeria.
Ao fundo
a mais bela tela
suporta
a penumbra húmida.
Top ▲
III
Só
desdobro-me em múltiplas sombras
umbrais de portas
aluaradas.
Pretendo
prolongo mais um pouco
o lusco-fusco, mas é a noite da bola
branca.
Top ▲
Que negro brilho brilha de tão
negro zás
Trespassou a litosfera
zás-zás de tanto trespassar
zás quem é o
culpado alces
que negro
brilho
holofotes à
esquina surge o cano negro da
metralhadora não muito complexo de
tanto o ser se me
afigura a vida supõe-se que se
chora
não por quanto tempo o homem
eleito se
permite manipular
venho porque todos assim o fazem
a sub camada reage de modo
violento nada mais se
revela tão ignóbil
assim e tenho-me por completo
em a engrenagem universal
a
torre alta
edifica-se
em as tuas nuvens
ahahahah
em as
nuvens
meu amigo
meu amigo
não
podes
porque não podes exigir-me
a demissão
a fuga
entrega total
zás
assim sobrecarregado
levanto e perfuro e revejo o mundo.
Nada absolutamente
nada. Precisava pré
cisava de algo putrefacto
e
eleger-me em a timidez dos teus sonhos.
Olá
Sabes-sentado-sentirme-ia-santo e mais um s
António-ou-Antero-ou-
-Agostinho-ou-Antão-até-André
(quero Paz)
Bem
Bemmas
mas coberta a moradia estrela de
Girassóis
brancos convida-se o génio
de dedos polidos a um
Breve e mereciso repouso.
Entretanto em a parede
florida e
Com uma inclinação exacta de quarenta e cinco
graus sua Excelência
O senhor
Conde limpa por fim
O seu anel de pérola uni
facetada há dois séculos e
meio sob
Fina camada de poeira d’oiro branco.
È porém violentamente
Interrompido pela fotografia
tuberculosa pálido e
tuberoso
Rosto de um de
um de um
seu sobrinho demente que lhe confessa
triste e abatido
Encontrar-se em uma
situação de total impotência.
Complacentemente
Dois longos pontos
Não
me perco mais
(é
impossível perder-me mais)
mas
mas mas
reparo
fico
novamente desmembrado
Paris
ama
Dulcineia
relação
extra-biológica
estritamente
extra-biológica
em V
(vida)
a
morte.
Seria em o psiquiatra loiro
mas pensando que não
e apesar de tudo correr
de acordo com o desejo supremo
e tendo como base plena
de certeza a necessidade
de concretizar-se em uma fuga claramente
inglória o semi-apolo
julga intransponível o choque inteligível de
imaginar banalidades
retoma-se o choque brutal e com uma
soma excepcionalmente
exorbitante a senhora
professora primária em um plano deveras
curioso relata à
irmã a experiência dolorosa toda
em sintonia com a revolução em a discoteca
perfumada em o calendário
tibetano o espião
contempla absorto
a professora primária
plenamente transtornado
o herói retira-se
retrai-se
assassina o proprietário
assassina
assassina
da discoteca
estampada
de
roxas roxas rosas
afunda-se em o maple
ouve-se o seco tiro
três versões correm e confudem os investigadores
oficiais
PIM PAM PUM o
assassino confessa
foi PUM
Sempre haverá em mim o poeta com o s braços três
vezes maiores
que os meus e o espírito
verdadeiramente mais simples.
(sinto-me só siginificativamente só
em a paisagem menos indefinida
que criei e
onde subsistem em uma confusão
total todas
as árvores arrancadas aos teus
cabelos e todo
o fel de pinhas
novas ah
que virgem estranha povoou esta
cidade
suspensa e em cada recanto
ligeiramente mais
escuro que
valsa compuseram para tu dançares
em mim
ei ei
poucomaisquecoisaporseremcadapétala
poucomaisquecoisaporseremcadalágrima
ah
QUEDORESTAQUEMENLOUQUECE)
Espíritos
sobrevoam-me
malignos repousam
em a minha magra
carcaça e eu
novamente procuro
saber que virgem andou
por aqui.
Top ▲
As mãos nuas em a cidade
semi-adormecida retiram a
Luz aos meus olhos.
Reconhecidamente retomo
O sono mas em o meu rosto revelo-te
meu-ser-mais-que-herói a
Tonalidade única agonia
máxima que me atrai e com
A qual pintei o meu mundo.
(eterno
anarquista o poeta
suicida-se
constantemente)
Surgir assim potro selvagem pelugem suave
provocante saltando
o equador para o lado de cá é a cena mais
erótica que o o
pensamento castrado de um intelectual
requiiiiiintaddamente
polido poderá imaginar.
Quem julga ele ser?
Na volúpia perfumada e falsa dos seus olhos
oblíquos eu eu eu
Abstenho-me de ser poeta!
Nada é mais triste…
Top ▲
I
Centrais atómicas sobre fundo verde
sobrepõem-se aos genes
Não sei bem quantos ares me
trastornam. Nascerei
talvez em uma outra podre
dimensão provido
igualmente de cabeçatroncomembros
que é a mais elementar evidência do
escolarizado estudo
humano. Dirão
então mas que
terrível mutação!
Oh!!! Que maravilha!!
II
Radiação atómica estimativas
que sobrevivem em a dantesca
Gravidez de mulheres moribundas. Determinadas
reacções detectam
Hipotimia. Senil o deus
pagão ergue o fatídico
Dedo e infame proclama em a diferença abismal da
minha para a tua
Atmosfera que o céu cor
de rubi puro multifacetar-se-á
Em n n n n n n n n portos infernais onde o
derradeiro navio encalhará
Em o contentor de chumbo número milhão e tal.
III
Desconheço o
processo pactuo com tal
magnetismo
aberrante em uma chama equidistante de
abençoadas mariposas
tímidas e fungos pintalgados em a margem
retalhada
simples curva meridional sem muitos sonhos vagos
ou dúbios
Reaparece
então asubtileza africana
a espaços
solitária a instantes cálida
adensa-se a voluptuosa claridade
e sagaz a
longa tarde em a paternal
noite despreocupadamente
aconchega-se.
--ALÍNEA ÚNICA—
Retiro desta real atmosfera que
docemente
me embala o germe da
putrefacção e
grato eternamente
grato entrego-me
a ele símbolo verdadeiro e
único da dadadada
da abrogênese unversal.
Top ▲
(encontro em o mundo
New
York is cold
“mas nem
New York é a capital do mundo nem a sua
grande ou não amplitude térmica
térmica são assuntos
que me interessem”
encontro em o mundo metempsicose esquizofrénica e
estoicamente o ludibrioso
licorne de mármore listado morre.
Em o
mesmo segmento da semi-recta evolui o
festim licencioso e macabro e
eloquente divaga o curioso maître.
Entretanto a luz idílica
esconde afectuosamente
a ruiva senhora inglesa e sua atraente e mística
filha)
Em-a-noite-certa-vez-em-a-nite-em-aquela-noite-senti-ser-profundamente-
-urgente-libertar-o-ser-enquanto-ser-por-ser-séria-questão-digna-de-ser-
-ponderada.
I
Flautas acorrentadas em o campo B dos prisioneiros
trajados
De imaculados trajes suplicam
Em uma melodia melancólica que não e
violente
A inocente e casta madrugada.
II
Pelo amanhecer informações
obtidas via extra-oficial
confirmavam terem as autoridades prisionais encerrado
todas as
instituições privadas e estatais que procuravam a total
reabilitação
e reintegração dos indivíduos atingidos por um um um um um
“secretamente desconhecido” ou “desconhecida mente
secreto”
Vírus.
Afirma-se igualmente
que esta inédita
atitude se ficou a dever ao falecimento
súbito de
todos os internados. Supõe-se que o nascer de um novo dia
terá
tido uma importância relevante em este estranho caso.
III
Informações de última hora revelam
que tal
como oficialmente se pressupunha foi
um vírus
sobre o qual ainda nada se sabe
o único agente causador
de tal epidemia. É de prever
contudo possuírem
já as autoridades governamentais
elementos claros e
suficientes sobre o vírus. Ou será
também este
um vírus oficial?
Que paisagem esta
inadvertidamente colocada em a minha
Longa mas estreita parede
verde me atrai a uma dulce e
Eficaz apatia urbana!
Que tema oferecerei a Cézame quando os meus
doridos olhos já
Colheram todas
as-cor-de-ouro-medas-de-palha-cercas-vermelhas-
-de-madeira-azuis-casas-de-granito este
bungalow
esta anciã fachada isenta
de sombras esta
fatídica parede
(Paul
Cézame nunca pintou casas de granito)
Senhores apresento-vos o poeta
A figura tua
Que me projecta em a parede
Parede nua
Devolve-me o salto em a rede
Da moça brilhante
Que avança em o espaço e recua
Em mim instante a instante
Ou ou
Ou ou
A noite brilhantemente
Embandeirada entre fachadas
Falenas pordentro
Dentro
Dálias
Protegia vaga lumes
Cintilantes os embutidos
Percorriam o manto celeste
Reter-me em o espanto
Da noite anterior
E avançar
Avançar um pouco mais
Mais um passo
Dois passos
Três passos quatro
(a
tudo se ultrapassa o poeta
encarregar-se-á de lhe atribuir um valor único
Uma imagem preciosamente sã. É aí que o
poeta é louco
é aí
que os outros o desconhecem.)
E se eu vos gritasse que não existem poetas
acreditavam?
Top ▲
Espero de uma sibila de linho
a mutação
e que sofra de vagotonia
o gesto mágico
e que sofra de androfobia
a anatomia.
Espero de um clown de napa
a esperança
e que ria até chorar
o sonho
e que ria até chegar
a voar.
É isto que me pertence com um ceeeeee mais
prolongado se não
se importa
uma
ovelha ahahahahahah
uma velhacolherdezinco
um sol gasto
um telex agoirento
umatelabrancaconspurcada
e sendo assim
VVVVIIIIIVVVAAA OOO PPPRRRRÍÍÍNNCCCIIIPPPEEE
---------viva o príncipe---------
( não posso
mais estranho estou
em
eclipse um eclipse em
efeito
uma coisita qualquer destas detém-me
oh todos sintetizados
fariam
ZZZZZZZZZZ Édipo
eis o vento que
procurais como
sempre este
pensamento bloqueia-me
quero aprovar
uma grande ideia qualquer
esta efémera
ânsia esta
interminável
corrida branca.)
Nada pretendo
retendo o elenco incompleto recrio-me
genialmente
sem escuros cigarros longos sem
desejo de os fumar
olha-olha-olha-olha a lua
ébano
ecuménico
meretriz
meretriz das meretrizes esta lua
número
depressão
magnificência
fluido berrante
em Grenoble-cidade onde nunca estive
sonha-se.
Despacho
cumping
carabineiro
apartheid
em Grenoble-cidade onde nunca estarei
destrói-se.
(andeiporaí euandomuitasvezesporaí
asnoites
osfinsdetardeeasnoitestempestuosas-
agradam-meespecialmente)
Procuro um som amigo para este
momento este coro
gregoriano que pasta dentífrica
esta me destruiu o sabor a
podre que tinha em os lábios
este café salgado que me
revolta nada
tracinho agora um um
pequenino tracinho ficava
lindamente assim - psst
psssssst
nadadistoprocuro lua estab aiaiaiaiai
que me enganei lu-a
es-ba-ti-da ba-ti-da-a-a-
-vi-da-es-ta-e-le-ge-o-ar-le-quim
ue comprimido este me
confude os desejos mas e
falando de avião
aluavaideavião
ocomboiovaideavião a
mas a promoção seguinte
decompõem-me este inchaço
em o pescoço será coisa má
ahahahahahahahah
SERÁ S
E R Á BASTA
basta o grito que pretendo deverá
divirrá
serr uma panterrra negrrra empalhada
a composição não será única
porque a nulidade de tão
vasto projecto assustou
o arlequim.
Nero exige a imediata punição.
Faltam-me palavras não sei quem andou por aqui
que mão remexeu o fundopálido da minha secreta gavetavermelha
mas noto noto que me faltam
palavras
e
a e a questão surge “eu
queria…” eu queria o quê
mas-o-que-é-que-eu-quero PALAVRAS
MUITAS
PALAVRAS algumas
palavras poucas eu
bem sei que
em
o fundo pálido da minha gaveta vermelha
existiam
umas tantas letras e expressões inéditasalgumas e outrasnão
que sinto agora necessidade de
utilizar e
até a ninguém interessavam se eu
pudesse
masporquepoderiaeuEU se eu
pudesse pudesse
eu
esta mania de grandeza eliminar não deixo
porém
de pensar eu a revoluçaõ é necessária e urgente, mesmo que
para efectiva-la morram patriotas
nãoháninguémnãoinocente
mas que vício este
noitebranca
brancanoite
brancanoitedebranco brancodenoitebranca
écomésemcomé
écomésemdeouporquemécom bemBEM
interessa agora
o poeta:
eis o poeta:
Angelicamente
fosse
Porque não
eu, o
rei
destituir o rei?
sublime a
donzela
ao som inocente
se
renderia
do pipipi
religiosamente
pipipipipipipipipipi
(por
gestos recriados)
faz
bestialmente
fosse
fazia a criancinha
eu, o rei
resignada a
donzela
bela
se
quedaria
oh que bela
tristemente
( o
herói re
surge
condecorado
re
trai-se
em o palco
re presenta
sem ponto
o
herói
O H E R O
I
ama
O
herói
abandona
louco
A he
rói a bbb di ca
(solenemente)
(por
sonhos encarnados)
timidamente fosse
eu, o rei
eufórica a donzela
se daria
inteiramente
galantemente fosse
eu, o rei
encantada a donzela
se entregaria
delicadamente
A D O N Z E L A A N D A
perdididididinha
em a
candura dulcineia
a donzela
anda
em a lua fantasmagoria
perdida
anda perdida
PERDIDA DESGRAÇADA
coitadinha
anda perdida
(a
saber: O AMOR É UM FALSO TEMA)
Em o outro dia perante um quadro
futurista andava
eu à procura da via rápida Faro-freixo de espada
à Cinta onde
sob designação
“CONFIDENCIAL” se encontra uma
tese creio que a
única sobre o aparecimento e
posterior evolução do quartzo como novo e
importante mineral
quando encontrei a verdade:
virgens
estrelas meninas
caindo
em lágrimas por mim
partirei à
busca de novas heroínas
e do impávido
rosto do mandarim
e se eu pudesse
transportava a lua
para
amá-la
às
escondidas
e depois depois seria sempre
dis sempre dia detesto
este fim d’ano os
contos irreais d’Anderson a
revolta inútil de James Dean
o som sempre igual sempre
da cidade masmas que relação
poderá ter o fim d’ano
os contos irreais d’Anderson
a revolta inútil de Dean
o som sempre igual da cidade
com comcomcom
n-nada nada disse
eu NUNCA digo coisa alguma
se falar demais
Nero como o anafado polegar.
Virado para baixo dar-me-á
como embora insuficiente
é certo como sobremesa aos
seus famintos leões
importados d’África sem terem estado de
quarentena o que
como se sabe constitui
grave infracção mas
como tentava eu dizer a
minha aversão vai de avião
o senhor meu vai de avião
as reluzentes e gordas faces
vão de avião os ilustres intelectuais
também vão de avião
quem não vai de avião digam
lá digam lá
the dog THE DOG não vai
de avião EU NÃO VOU
DE AVIÃO a alegria não vai de
avião
(a
saber: FREIXO DE ESPADA Á CINTA É UM MAU LUGAR)
Top ▲
Parte Segunda
Aqui
A breve turbulência
Avelãs carcomidas
Em o flash noctívago
(lágrimas lágrimas)
Dissecar
Esse uivo aluarado
Poderoso amante
Que sonha
Flauta rouca em a pedra fria do
Mmmar
(
lágrimas lágrimas)
Aqui
Erguem-se dominadores anjos roxos roxos
Angelicais gotas
Em a palma da mão
Intimidade tão secreta
Este último verso
Forjado
(lágrimas)
Con den densa con
den densado
Que derradeiro
Desalento
(lágrimas lágrimas)
Simples amigo
Sulco amargo
Da ruela escura
Ensanguentada
Parda
Tarde que noite nunca se fez
Bem vindos bem vindos
Eia!!
Estames
Cálice transbordando
Madrepérola
Retida
Em a fugaz visão da frescura da paz
Música geometricamente branca
Que me atrai feroz
(lágrimas)
E sigo-a libertando-me
Aqui
Profundo modo
De morrer
De morrer
Re cor ro re cor
rer
Eia!!
Figurino grotesco
Despido
Re nas
cer nascer
(lágrimas)
Sem dúvida
Re nascer
Siderais monstros verdes
Aqui
És tu
Líquen
(força agora
Ena! Que
morte!)
Se eu volto
Estridente
Inquieto
Alastro-me
Entre feridos cambaleantes
Moribundos
Entre o estandarte pátrio
Lúcido
Intacto
Ah o meu segredo pela solidão
o meu segredo pela solidão
por ele
so…...............dão
(lágrimas)
Aqui
Escarlate a nuvem
Ladrilha
Qualquer dia
Em uma antologia
De álamos
-primeiro rochedo -
Ei!! Tantas fadas
Com um gesto apocalíptico
Comem-lhes as verdes folhas
(força agora
ena!! Que morte!)
Aqui
(lágrimas lágrimas)
Sorvo constelações
Eterno terno
Viajante
Ante poderosas lágrimas
Aqui ser poeta é
Ah!
Eu sei eu sei
(lágrimas)
A minha viagem
Tão branca
Em a galeria catacumba
Em o crepúsculo impaciente
(lágrimas lágrimas)
Em ti
POESIA
Aqui
Decapitado
Tumultuoso
O digno do ser
As abóbadas amplas
Suportam
O gélido olhar
Entre alamedas longas
(lágrimas)
Aqui
Lanço a minha débil mão
Ao rio
E paro o tempo
Sorrir
Oh! Sorrir
E morrer
(lágrimas)
E morrer Morrer
(ena!! Que morte!)
Em lágrimas
Só
Por mim
Acima de tudo
Unicamente
Por mim
Por mim!!
O poeta!
Toma é para ti este sonho
simples sonho onde tu
és a protagonista. Eu eu sou o
ponto patético ponto!
Existe uma rosa pressinto
uma criança.
Espero quero reaprender
contigo porque a rosa
não me agride porque a
criança sou eu.
Toma é de ti este
sonho sarcástico sonho onde
me elegeste imperador:
a tua mão chama urgente pela minha
a minha mão pede tímida a tua.
A matemática a
filosofia tudo são profundos
espaços retraídos e húmidos
em contraste com a vasta
planície verde e fresca
onde me sonhas.
Há uma provocação admirável em cada sombra:
a sombra domina superiormente a
realidade.
Há também uma fuga
conscienciosa em tecnicolor
Fantasia – berlioziana – em – mi – menor –
irreprimível – em – os -
- passos – cadenciados – inventados – por – ela
– instante - a instante.
Top ▲
I
Um dia
Irei desejar ser a vela solitária de uma só
cor que
passeia despreocupada em
o mar calmo dos teus olhos
claros que descobrem
quando me perco em flagrantes
contraste.
E agora quando
olho para ti reconheço
não serem os teus os olhos
por mim desejados.
II
Um dia
irei repartir-me em as nuvens prenhes de luxúria
que acordam em
todos os inúmeros beijos recusados e
logo falsa e
timidamente concedidos por
ti
Meus órgãos então
dispersos serão o
escarlate estandarte erecto
notado e admirado em todas
as regionais romarias representativas
e em todos os
estranhos enterros estandardizados de poetas e
lunáticos
pintores e boémios ele
será superiormente suportado
pela mais jovem e bela carpideira
E aí minha sombra
tremula reassumirá o sol casto
que fui e que nunca mais tornei a ser desde o
instante em que me
dispersei em os teus ternos lábios.
III
Um dia
serei o tom indefinido reposto
em a máxima magnitude
ímpar com um
transcendente toque indelével
espantando supostas sensoriais divagações do meu
incompleto
olhar intempestivo e
e aclarando
o precoce rictus imposto pela beleza pura do voo
planado da
branca ave celestial serei
repito serei
o sentimento tal exigido por mim para oferta
desinteressada
a essa tua falsa e necrótica necessidade em
profundamente me
magoares.
Top ▲
I
Em as longas tardes caídas sobre o leito manso
estendido
algures em o teu cativo e delicioso ser
as águas
tépidas e amigas do meu pensamento
visionário mas
inofensivo recriam situações únicas
fantásticas aguarelas policromáticas onde me
revejo só.
II
Em ti construo árvore
negra do desespero
com um tronco exagerademnte largo e escuro e
delgados ramos
próximos do meu perdido olhar fixo em o possível
suicido
que constituiria o patético acto
heróico de me envolver
um pouco mais em ti sem ser
continuamente
teu.
III
Porém procuro novas
sombras em a tarde e
retenho-me pensativo
retido penso que algum duende
de cabelos brancos pintou em os meus tristes
olhos
sobre fundo negro brilhante e em perfeita
simetria
algumas aves azuis recantos
espargidos em perfumados
botões de pétalas em intenso descanso e outros
fios líquidos de
procura sincera de nosso horizontes notoriamente
infinitos
onde a minha mão busca ema a trágica
mágoa tons cinzentos
a figura abjecta tua
sugerida pela profunda palidez
da tela alva onde retrato sonhos
e enganos e o teu sorriso
absurdo.
Nem todos os sonhos confundo. Nem em todas as
perspectivas
as locomotivas me atraem.
O eclipse do lindo sol vermelho
Imagino-o eu sempre sozinho
Com um pé em a lua e em uma estrela o
joelho
Tropeço resisto perco-me por carinho.
Nem todas as mágoas me esbatem a face. Nem todos
os
momentos meus olhos me atraiçoam.
O meu sonho o único que tenho
Recolhi-o em o grande embondeiro
descarnado
E se a miragem me foge ainda retenho
A ilha o areal fino o coqueiro
encantado.
Top ▲
Quero rever Olimpo e naufragar de modo assaz
violento em a
Pureza transparente dos teus monocromáticos –
cabelos – sonho –
de - tua – fresca – fronte – meiga – mão –
morna – em – a –
suave – face – do – teu – tropicalíssimo – e –
sensual – ser e
esquecer-me assim
sendo
criança de todos os
outros fantásticos mundos:
o meu o meu mundo é o mais
real real –
de - -luz – real – de – túlipas – real – de -
-paz – real – de – de – de-
trampa.
Bem e depois
e depois pertenço-te em
os intermináveis discursos de terna fragrância
embrenhada em os
teus lábios de pessoalíssima cor minha.
Que pássaros marianos nascerão
então
para te defenderem da minha impertinente mão?
Nada sei
desconheço e permaneço assim.
Incólume, ausento-me para
outras miragens e todas as ilhas paradisíacas
de semblante nocturno.
Sobrevoo
reparo e impaciento-me
a luz acre
doces sóis diferentes de paisagens idílicas
enlaçam-me.
Enternecido contorno
atlante
estilete fálico
seduzido pela palmeira erecta do longo manto
loiro
deseja-me.
nada retenho quero e
espero assim.
Retiro-me
sobrevivo e inquieto
meu bote pardacento
pontifica opaco
a vaga assinalada brava
repõem-me em Amaurotum. (i)
Enobrecido pináculo
altivo
gota engrandecida
pela perspectiva acentuada do lírio brnco
prende-me.
restrito arco-íris iluminado
(i)
também Amaurota – cidade capital da ilha “Utopia” – Thomas More
em a ilha
banha os diamantes da praia
rubis, agora
opalas.
Sinto deixo-me chorar e adormeço:
Minha nau de proa fenícia
voa e retém-me
Viajo
todos os recantos são oásis azuis de
tão brancos
e fico
fico por lá!
Aceita-se entulho.
Aluga-se Sé Catedral a associação com pedigree.
Avisam-se possíveis
visitantes a Vila Nova de Foz Côa
Estar a referida
localidade isenta de contribuição predial.
Oferece-se três degraus
às nove horas.
Vende-se lugar à sombra
em o cemitério dos Prazeres.
Precisa-se tocador de
bombo.
Pede-se envio de
curriculum.
Perdeu-se série
completa policromática de lentes de contacto.
Trespassam-se conceitos
numismáticos prematuros.
Dá-se garantia.
Reafirma-se:
Aceita-se
Entulho!!
Sei que uma névoa espantosamente multicor
retrata rosas em teus olhos.
Desconheço porém
esse mágico gesto que te eleva
submissa
aos lábios meus e esfuma a distorção
que por
vezes te constrói.
Em essa minha
frustração as estrelas resvalam da
sua
órbita e lentamente
vêm ter-me ás mãos em
forma de concha.
Os teus seios avolumam-se
brilhantes e irradiam
cintilantes pirilampos que percorrem
extasiadas os
segredos que havia guardado para e por ti.
Em essa minha frustração
as fadas metamorfoseiam-se e
os seus longos cabelos prateados cegam-me com o
seu negro brilho de lanças
pontiagudas.
Os teus dedos alongam-se
repartidos e sublimam
esquecidos sonhos que me levaram secretos
gemidos do mais belo de mim
e que eu havia escondido para e por ti.
Depois as fadas tornam a
te longos cabelos prateados e os
teus dedos devolvem-me o que escondera de ti.
Sei que os declives inexplorados da nossa sombra
única redescobrem-se
em a densa floresta sem encruzilhadas em demasia
eu o teu corpo/o meu
corpo aparentam possuir. Aí em um
encontro porventura breve
sei que nos tornaremos a
acariciar em um gesto puro e
fraternal. Aboliremos palavras e tudo mais que
denote falsidade e egoísmo.
Sentimos agora
que os segundo são
permanentemente
reabsorvidos pela doce brisa que te embeleza
e decretamos a total proibição de ambiguidades.
Desconheço desconheço os
retratos abstraccionistas que imagino
erradamente sobre duas sombras que se unem todas
as tardes em que o sol
me torna mais sombrio e enaltece os lábios teus.
Top ▲
AH!!AH!!
Desta certeza a face
húmida ilumina-os os riscos
finos e longos em demasia das casas
a espuma branca da
cerveja suspende-se os pensamentos:
- um
– hipotético – cavalo – marinho –
- listado – sobe – à – superfície – e –
e –
- desafia – impunemente – uma –
- caravela – quinhentista – que –
- por – mim – irá – amanhã – bem –
- cedo – passear – em – a – linha – do
–
- comboio – prateado – repleto – de –
- gente – anónima – entre – a – qual –
- julgo . reconhecer – um – indivíduo –
- baixo – magro – de – queixo –
saliente –
- e – fronte recuada – e – com – uns –
- óculos – redondos – pressinto – que –
- ele – ocupa – uma – elevada – posição
–
- hierárquica – dentro – das – cúpulas
– da –
- Brigada – Unificada – que –
recentemente –
- assassinou – o – meu – ilustre –
chefe – vestido –
- de – casaco – e – calças – de –
fantasia – e – de –
- um – horrivelmente – esverdeado –
colete -
- onde – sobressai – oba – o –
brancoooooooo –
- agressivo – da – camisa – sem –
etiqueta –
- inúmeras – vezes – lavada – que – me
–
- persegue – quase – me – alcança – e –
me
- devora – mas – aí – eu – agarro – em
–
- trinchante – com – fino – banho – de
- prata – e – despedaço – lhe – os –
olhos –
- tortos – e – a – luz – apaga – se –
enãosei
- em – que –lugar – me – devo –
esconder
- mas – ah – supremo – milagre –
descubro
- um – incrível – túnel – com – as –
minhas
- dimensões – e – encolho – me –lá –
dentro
- à – espera – que – a - maldita –
chuva –
- alivie – um – pouco – mais – mas – o
–
amaldiçoado – túnel – começa – a –
ficar
- alagado – repleto – de – água – e –
não –
- nadar – e – não – sei – nadar – e –
quero –
- fugir – quero – sair – daqui – quero
– sair
- daqui – TIREM- ME – DAQUI – TIREM
- DAQUI
Este mar está calmo
extraordinariamente calmo
mas
ah estas zonas de produção colectiva
ideias
cooperativistas por exemplo
as
quintas por exemplo
em as quintas mas que
processo de vinificação este que
deve atingir uma cor esta atingir uma doçura
esta
Uma doçura uma cor e outra qualquer
característica que me escapou?
Depois jálácámádápá
as lotações estão de
acordo com a revolta em as Marquesas: Para
porém
porém para o mercado municipal só é
comercializado o vinho
que sofreu um envelhecimento de duzentas noites
de lua nova e
cinquenta e quatro horas tardias de quarto
crescente
uma
cruz deitada
uma carta recém-chegada
parte-se
aloiça isto
é a loiça
CONSCIENTEMENTE
O R A
E S S A
Os sonhos
hã ah…os sonhos
pois, os sonhos são assim
claras espadas
sorrisos
mas mar és tu?
Meninas, fadas
os sonhos são assim
caminho
abismo
queda fatal
ahh
acordo!!
(nunca
conheci sonho que fosse meu)
Madrugadas mais longas
bloqueando-me a mente
cabelos de orvalho
ao sabor da corrente calma
raia enorme enorme
estou em um vale branco
avalanche branca
vou morrer
Sinto-me leve
tranquilo
ah acordo!!
Os sonhos
hã os sonhos?!
claro
claro os sonhos
malditos
os sonhos!
Dançaria em u espaço
sem u sem desmoronar u
dançaria em u
u firmamento
em u firmamento grená u
ergueria um u
um trampolim u
elegante u
e
dourado u
para que u mais belo equídeo erotofóbico se
lançasse à reconquista
da sua insigne virilidade posta em dúvida não se
sabe bem porquê
nem por quem.
Top ▲
Partizan olha-se ao espelho lilás. Em o lado
esquerdo aglomeram-se
Vazias garrafas várias. Observa-se
cuidadosamente Partizan. Em o
Lado direito uma lúdica cena medieval ocupa
integralmente o bege
Pálido da alcatifa. Partizan concentrado
Partizan pensa:
Andava eu, Partizan à aventura em as escarpadas montanhas
azuis a oeste de Incomun City quando lhe surgiu assaz
repentinamente o famoso Jesse Jmes. Desde há muito que
Partizan não suporta o peculiar e algo efeminado sorriso
de
J.J. também é já de longa data a profunda aversão que J.J.
nutre pelo tom demasiado escarlate dos sapatos
domingueiros
de Partizan. Fitam-se demorada e rancorosamente.
Combina-se
o duelo há gerações aguardado para o entardecer e logo aí
escolhem-se as fatídicas armas.
Á hora prevista lá estão o pasquim oficial da
pequena e triste cidade,
O impopular canal zero de mono cor televisão e
todas as respeitáveis
autoridades vivas. Partizan elegante e
sobriamente vestido armado
de uma adaga em puro oiro branco com inúmeros
embutidos de pérolas
e rubis em o cabo estreito cabo e uma
assustadora mancha rubra em a
lâmina delgada e longa, mostra-se anormalmente
calmo. Jese James
permite-se acompanhar pelos seus dois célebres
revólveres negros, pelo
seu colete anil e blue chapéu e ainda pela sua
fina e florida camisa
importada. A expectativa é enorme. É então que
alguém brada:
PARTIZAN! PARTIZAN! PARTIZAN! PARTIZAN!
PARTIZAN!
(Partizan escreve-se com s e não com z)
Bem bembembem
BEM
ninguém mais viu Partisan
porém
algo verdadeiramente espantoso sucedeu em New
York
após uma disputadíssima partida internacional de
basebol:
um estranho objecto bastante deteriorado
semelhante a uma adaga
foi encontrado.
Bons e ilustres cérebros afirmam já tratar-se da
famosa
Adaga de Partisan.
Boatos alarmistas tendentes a destabilizar a
situação
está claro!
Entretanto,
tem acontecido ultimamente,
a par de outras movimentações já por todos
conhecidas,
uma certa alteração
preocupante
em o rumo da Partizan e Associados Limitada.
Cartas obscuras
tendências submergidas pelo tom escarlate dos
sapatos domingueiros
de Partisan em o tempo que este era o único e
incontestável e
glorioso líder
surgem agora plenas de vitalidade e de desejo de
mudança.
Mas o povo está tento
em estado de alerta total
e
quaisquer tentativas contra revolucionárias
serão recebidas
à pedrada
à paulada
e inúmeras barricadas serão levantadas segundo
um plano
previamente elaborado por Partisan antevendo
todo e qualquer
desvio em a orientação da dinâmica companhia.
Se-a-minha-face-verdade-o-que-é-desejasse-e-que-a–outra-face-
-é-a-metira-fosse-sonhar-e-que-penetrasse-em-o-ser-sem-face-
-e-lhe-retirasse-todos os cruéis mecanismos de
dupla cnsura-
-se-a-minha-face-fosse-o-que-fosse-o-que-concebi-compenetrasse-
-com-calma-calma-considerasse-me-czar-czarina-comtemplasse-
-me-cuidado-com-se-a-minha-face-à-pulsão-periférica-permitisse-
-pesquisar-profundamente-partículas-puras-nunca-por-tão-pouco-
-me-perderia-
sa sa sa sa sa sa sa sa sabiam ?!
nunca por tão pouco me perderia.
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PARTE TERCEIRA
Dia 10
O reflexo crepuscular da espuma ondulante que
caracteriza a
proa viking do “Paz Interior” incomoda-me!
este pequeno barco com uma única vela branca
possui em o seu
acanhado porão um little baú de azul porcelana
que religiosamente
guarda o bálsamo milagroso, remédio eficaz e de
cura imediata de
frustrações agonias e suicídios não consumados
Esta sibilina porção obtém-se a partir de uma
secreta combinação
perfeita e correctamente doseada de :
- quatro gotas de sangue materno em
o acto da procriação
- ¾ de extracto vegetal de branca
pomba virgem
- duas lágrimas vitaminadas
enlatadas em os States
- cinco miligramas de humidade
ariana
Coloca-se pela ordem enunciada em o mixing glass
mexe-se como bar spoon passa-se pelo
strainer e serve-se em
copo soft drink visto a mistura não conter
álcool.
Este pequeno barco foge-me sempre que o pretendo
apanhar. Já
em inúmeras situações quase o
possuí mas ou por
uma secreta indecisão minha ou por um natural
receio dele
nunca me foi permitido tocar-lhe.
Este pequeno barco vi-o eu nem me recordo por
onde!!
Dia 18
A massa do tripartido ser equilibrada a enorme
dúvida
metafórica que retorna à ideia/simples ideia
inicial.
A abismal diferença de duas zonas perfeitamente
normais e adaptáveis à mísera condição humana em
estado considerado ideal assusta-me.
A situação não era
impossível mas eu
considerei-a
logo incongruente. Penso que a vida poderá ser
criada a partir do nada:
a dúvida surge quando pretendo criar esse
misterioso nada.
Consigo pensar em o
nada basta imaginar-me
longe e
impassível e quando
sorrir as ondas irão
banhar-me. Eu
nú farei amor com
elas.
Não será assim tão
simples nós é
que porém
porém o
quê? nós é que não sabemos onde
nos devemos situar. Eu
eu situo-me mais a leste de tudo o
que me domina!
Não há rio mais profundo e claro que a fuga
colorida reinventada por
mim em cada passo que dou à retaguarda.
Há tudo quanto eu quero!
È tão falso porque em a resposta
à questão - QUEM ÉS TU? –
sinto-me imperfeito e a fixação do oxigénio não
é suficiente para me
alimentar. E assim fico
verde. Por falar em verde
eu gostava
sinceramente de ouvir
neste momento
Verdi.
Uma abertura de ópera nacionalista que me
despertasse os
Meus fervores patrióticos e eu tivesse que
gritar BASTA ! BASTA !
BASTA JÁ ! BASTA JÁ ! BASTA JÁ !
Basta já o quê? Tudo é
demais já chega de situações
ambíguas. A ambiguidade não me pertence porque
sou feito de
ambiguidades.
O dia está extraordinariamente frio. A geada faz
parte integral dos
meus olhos. Mas e é deveras estranho
esta noite não
se formou geada.
Frio é aquilo que me domina quando me sinto sem
paz e quando me
atacam sub-repticiamente. Detesto estes ataques
pela noite. Não
consigo ver o inimigo. E saber quem ele
é torna-se vital.
será grande de olhos
azuis cabelos loiros
rosto
belo espartano? Ou será aqeuilo que
dizem ser eu?
Nada acontecerá porque a indefinição nasceu
novamente em mim!
Oh que cena deveras
dramática há um
céu isto
é há um célebre esgotamento
de uma coisita a que chamou acumulação e ficamos
sem nada.
Clamem pelo fósforo!
Eu pego-lhe fogo e incendeio o mundo. Rostos
carbonizados
Fracção da vida sobre a
morte.
Há uma eternidade quando eu quero.
Ora bem volto a ter a
acumulação. As reacções
são mais lentas. As duas relações diminuem. A
produção de energia
é cada vez menos. Um outro
processo bastante mais
complexo envolve as
enzimas.
A enzima específica alfa entra em o ciclo de
Krebs e é uma calamidade.
O NAD exerce uma hipotética descarbonozificação
e eu não entendo
mais nada.
O citrato de prata que
reinvento não sabe.
porque se chama assim.
Não
explica-se torna-se
a explicar e todos
sem excepção alguma entendem
Que
oh que indivíduos inteligentes!
O oxigénio dos ataca novamente. Os hidrogénios
Consequentemente sentem-se mal.
Faço o diagnóstico: falta e fósforo!
Controlo a
reacção mas cometo um erro: a
estimulação
deverá ser feita quando existir suficiente NAD e
ATP e algum fósforo
roxo. É uma reacção em que nada se passa à
margem da adulteração da
noiva macrobiótica. É que, o composto fica
reduzido àquilo que
verdadeiramente é: nada!
Há uma formação de FAD ao cubo o
qual por sua vez
conduz à produção final de ATP.
Este porém
diz-me que a situação
apresenta-se quente. Não suporto mais
e resolvo colocar
unilateralmente ponto final.
A relação teria que ser inferior.
Como é que esta substância semelhante a um
humanóide deformado
Estaria apto a viajar
até à lua?!
Em a lua existem esqueletos da imaginação que de
mim segura o sistema
intra planetário em a sua falsa radiografia
curiosamente exposta ao cientista
e ao poeta.
Há uma forma tridimensional e a cadeia linear
nada cria.
Mas dizem-me que
originam forças polares.
É falso!! É claro que é falso!
Reconheço que os locais mais activos não me
motivam. Não sou
Enzima. Não são possíveis adaptações em
semelhantes circunstâncias.
Fecho os olhos
surge então
Depois deste estudo
pormenorizado a tua imagem.
Reconheço com
alguma amargura
traços imprecisos deslizes
imperdoáveis e admito que falhei.
Prisioneiros sublunares desembarcam em a costa
noroeste
o meu pai de fadas e rouxinóis.
Trouxeram em a barca anfíbia violeta deolindas
de todas as
cores e Dulcineia que os aguardava impaciente
logo correu
a oferece-las ao seu amado.
Cantaria ela em tons sustenidos a ária preferida
do meu
inimigo? Ou reconheceria como indubitável o
espargir
suave das vagas perfumadas em o convés do meu
sonho?
Penso então em o predomínio sensaborão que os
finosp
pelos de um pincel mágico exercem sobre a folha
lva
de vinte e nove por quarenta e cinco centímetros
imagino o centro
visual e inscrevo-lhe à
volta espirais a roxo sobre formas
sobre irritantes formas geométricas.
Um dois três
desculpem-me a
actuação da substância inibidora navega não se
sabe bem
por onde e incita-me a falar sobre a solidão:
em o oceano
das armaduras de veludo
negro a heroína e sua
delicada companheira debatem-se entre eles isto
é debatem-se
entre a contra margem e a falsa profundidade do
rio molecular
onde o operador reparte-se e dá-se claramente à
síntese
enzimática.
Que fenómeno meus
caríssimos que fenómeno!!
As reacções seguintes lembram-me Paganini
sei porquê instrumento do
diabo versus coisíssima
nenhuma – eu versus Paganini.
Em a cadeia transportadora de electrões
orientais onde beijo
teu rosto de sol nascente
reclamo pela minha
camarada LA
SOLITUDE outrora
esmagada por mim em o ciclo de
krebs mas
agora permanentemente pedida pelos meus
vulneráveis
lábios.
Poderia ingenuamente abandonar-me em o ventre
cálido
De mais esta amiga de
momento mas
Sinceramente há locais
de mim que reagem
de maneira diferente a um mesmo estímulo e eu
cada vez
mais me afundo em estas incoerentes divagações e
começo
a comportar-me terrivelmente não é?
Mas a solidão a solidão é o
contraste entre eu e a
minha sombra em um dia de verão aí por volta das
quinze
horas.
A solidão cor única da
minha tela absurda que
representa vários círculos notoriamente
perfumados pela
multinacional J convergindo para o centro
gravítico que
eu criei a cor nenhuma a
solidão dizia
eu a solidão é a minha única
companheira
nem melhor nem
pior meus caros
simplesmente a única.
Dulcineia Dulcineia para que se
verifique a
gloriosa síntese do vosso amor platónico
pretende-se
que se efectue o transporte de electrões e que o
oxigénio
inunde a vossa realíssima alcova.
Com tão grande quantidade de solidão e de
paz vós
tendes o q.b. para criar o ambiente necessário à
projecção
astral do vosso sentido notável de viver sem
muitas concessões.
Supõe-se que o relaxamento total poderá conduzir
à paragem
completa de qualquer órgão vital.
Retiro-me e La Solitude
acompanha-me pois não
será esse o seu dever?
Bons dias meus
caríssimos gostei de
os ver por aqui.
PS
Reconheço-me
reconheço que me detesto
e acuso-me desta terrível fragilidade em
suportar as vagas
mais fracas de pé como um ser normal.
Artigo um
Alínea única:
- os fracos deverão
morrer –
já.
Top ▲
Dia 20
Uma-faca-afiada-e-agora-um-grito-estridente-agora-uma-
-estranha-volúpia-que-sou-eu
e-um-sonho-e-
-alterado-e-doentio-e-que-e-modifica-e-a-composição-e-
-outrora-e-cuidada-e-da-água-e-e-e-e-e-e-e-bactérias:
1 - Defeitos
originados pela ausência pertinente de
substâncias amigas ou pelo excesso/insuficiência
de alguns dos constituintes considerados
impróprios
de tal concepção mitológica revoltam o senhor
feudal.
As subsequentes doenças sã originadas pela
alternância
do sistema aeróbico em anaeróbico de semelhante
projecto irrealista
(em o
sistema aeróbico as puras bactérias vivem em profunda
promiscuidade com o ar)
a)
A FLÔR NOSSA – é o véu
transparente que se
Em o interior do senhor feudal de cor esbranquiçada
Por vezes rosada que me ataca. Este manto transparente
representa a unificação das bactérias e sua
posterior constituição em pequenos burgos.
As bactérias transformam o álcool em água
oxigenada e em im gás extremamente volátil
do qual não me recordo o nome.
Porém isto é tudo isto é e fácil tratamento.
b)
A AZEDIA CRONICA – destrói a
infância
bacteriológica e avinagra a pura água e o meu
frágil subconsciente. O álcool inventa em um
passe de mágica instantânea o ácido acético e o
bicarbonato de sódio. Forma-se um outro-mais-
-belo-véu à superfície da água cor de laranja. É
dizem-me a desnaturada
mãe
da azedia.
Esta doença creio não tem tratamento. A água ou
se aproveita para licor de merda ou é então destinada
à exportação de abertura fácil em latas
isto é destinada à exportação em latas
de
abertura fácil para os novos países africanos de expressão
sebastianista.
A lei rigorosa não permite que a água tenha mais que
uma grama vírgula dois de azedia gasosa por litro meu.
2 – doenças
provocadas por sonhos que não
estão em contacto directo com a espiral real
da volta incompleta do nosso senhor feudal e
a minha longa agonia.
a) O REGRESSO – a água
afectada pelo defeito
referido em o ponto 1 da
alínea a começa por apresentar
uma intensa alteração de cor até
ficar totalmente turva
com um realmente londrino aspecto e
toma um paladar
insuportavelmente desagradável
designado por formiga-
formiguinha ou recaída devido à
formação de um concentrado
iónico qualquercoisaterminadaemICO.
Além deste concentrado outras
substâncias criam-se igualmente
destabilizadoras. Novamente aqui a
água é atacada. Quando o
ataque é mais violento a doença toma
a designação de regresso
ou regresso
imediato domeuser. Se porém a
agressão é um tudonada menos
intempestiva estamos perante
uma situação manifesta de regresso
suave.
b) NãoseiquêITEeAGRIDOCE
(agrigrigrigrigrigrigrigrigri
gridocicicicicicici) –
esta doença resulta em parte da formação
de tal coisita ITE que de
acordo com o composto agrigrigri
grigrigrigrigridocicicicici
reformulado confere à boquet repugnante
simultaneamente não cristalino e
amargo.
c)
GORDURA – é pouco sim
habitualmente é pouco não há a
mínima dúvida de que é raríssimo encontrar-se a água em um
estado destes a todos os level chocante: quando
se serve corre como vento em deserto saaaariano.
Referem-se agora a um item que desconheço
por completo. Sei unicamente que semelhante
estado
anormal é provocado pelo fermento
blábláblábládase
colocado entre famigeradas aspas o qual tema
extraordinária
propriedade de eliminar os elementos
consideradosestranhos
à manutenção das qualidades vitais da água
fazendo-a precipitar.
A água adquire então um sabor repulsivo
sonhocozidodescorado
adstringente. O seu correcto tratamento é
conseguido pela adição
cuidadosamente doseada de aniblábláoso.
3 – Situações onde
se incorporam as ditas em os estados
subsequentes e sobre as quais as autoridades
camarárias nada sabem:
a)
adquiridas em o shop-center F
– a fabricação do molde
metálico referência H não obedeceu à pré-conservação da
água o tempo estabelecido mundialemente como ideal em
cubas
hermeticamente fechadas. As mais vulgares são paladar e
fedor
a planície metálica e de cimento armado de big city
favorecida
pelo ácido bláídrico e por certos alhos franceses os quais
apenas
se sabe serem anarquistas
frustrados e-o-bolor-o-o-
-o-o-o-bafio-o-o-contentor-o-o-balde-o-o-saco-plastificado-o-o-o-ó-
-ó-ó-ó-ó-e-e-e-o-ponto que sou eu!
b)
originadas – são creio devido
ao excesso de certos
elementos e à insuficiência de outros constituintes do
barro vermelho do qual segundo processos religiosamente
guardados se retirou a água.
O verder e o acerbo e o verdoengo recordam-me uma
certa época do meu acelerado crescimento.
A falta de cor é por
fim um estado embrionário a que todos
Os sonhos obedecem em o início do seu processo
evolutivo.
Dia 25
O abstracto não existe!
Não se
permite porque não se
permite a lógica
como operação racional menos
utilizável isto é
como operação racional com maior índice de
permeabilidade
a contradições e a erros?
Do ser preocupa-me a sua profunda restrição.
Mudo de linha de várias
linhas de muitas
linhas e o ser continua a obcecar-me
estas igualdades
isto
é pseudo igualdades
alertam-me contra falsos ideais
pois não será indubitável
que entre estas linhas nada e igual
existe? e entre o
ser? e entre os
seres? o ser é por
saber se será mais importante a formação do ser
enquanto anarquista
individual ou uma divulagação anarquizante a
nível de massas?
Ah a
marca
O
som cadenciado
Ah o
brilho do cristal
ACUSA oserdeegocentrismo
ACUSA oserdevulgaridade
ACUSA oserdeesquizofrenia
Porque vive porque vive o
ser?
imagine-se
uma cabeça
uns pés
um pés
co
ço
EIS UM SER
Dia 7
Per-mi-ta---se
oseràaventura
su-ba---se
àconstruçãoinacabadadoser
odeieeee-se
asuamágoa
mas MAS
mas não se
destrua o ser
Por favor
não se destrua o ser
não
por ffavor
não n-não
se
destrua
o ser
Dia 2
O corpo
diplomático conhecido
mundialmente
pelas iniciais C.D.
contacta-me em pleno raciocínio
matemático e aniquila este novo Pitágoras.
Por favor não se
mexam que incomodam o ser!
Oh que tristeza assumida
de tão leviano modo
revela o ser:
existo??? Eu existo?
Dia 9
A função injectiva não é linear porque irá
transcender-se
em uma curva acentuadíssima.
Além disso aqui não se opta
pela virtude máxima
do ser: a sinceridade. O
que unicamente interessa
é o modo mais veloz e eficaz de o
ser se pretender
cativar.
Tal enigma nunca o entendi.
Dia 25
Tal jogo psicológico é elaborado somente para me
confundir.
Nunca semelhante conjugação de sinais dará o
resultado pretendido.
Que regra pessoal esta oriunda do beco das
velhas madizentes e das
beatas disfarçadas em meninas esbeltas em pontos
cartesianos em
factos de arlequins e outros novos
bolores me maltrata!?
Dia 26
Não acredito em a inocência do ser.
NADA PARA DIZER
como sempre nada a dizer
aleluia
ALELEUIA O QUE VERDADEIRAMENTE
INTERESSA É RENUNCIAR Á VIRTUDE
e construir algo
maldito como por exemplo
eeee aborrece-me
imenso dar exemplos como por exemplo
cricricricricricricricriar
um novo ser
A máquina devora faminta a consciência do
ser as suas
finas mãos sensíveis os olhos cor
nenhuma de tão negros
as ei! ocorre-me agora
um aspecto deveras importante:
a vulgaridade!
Creio que em uma análise
imediata tudo isto
são simples palavras reveladoras de um carácter
notoriamente
vulgar.
Pudesse eu escrever sempre de modo tão claro!
Pudesse eu agir sempre de modo tão evidente e
simples e
Renunciaria a estas longas viagens
imaginárias malditas
em tudo ingénuas
sempre e e e perigosamente
doentias.
Abençoado ser
abençoado misticismo
A dúvida emsombra invariavelmente todos os
candidatos À
Academis filosófica
A dúvida não existe
O abstracto não existe
A dúvida é permanentemente inventada por todo
aquele que
ah
desculpem-me chamam-me à razão
CHAMAM-ME Á RAZÃO
desculpem-me
desculpem-me
desculpem-me
Último dia
Procede-se à chamada
O senhor feudal executa uma mistura simbólica
eumadordecabeça
e e uma umaumaaspirinamaismais
observamos todos os defeitos:
a)
a cor pálida antes do
Entrudo
b)
a seca fastidiosa antes
do dududoce
c)
o mais forte antes do
bom senso
d)
o mais leve antes do
moribundo
e)
o mais novo antes do
corpo
f)
o sabor e aroma menos
acentuado antes da derradeira ceia.
Nota: esta ordem
de prioridades deve ser sempre e rigorosamente
observada para que seja possível aos
nossos apurados sentidos
do sonho e da angústia apreciarem devidamente esta
impiedosa
realidade que é estar vivo
Mas claro que tudo isto depende do apetite de cada um!
Pipocas é a iguaria indicada para melhor se apreciar
O famoso cocktail “Vodka blue”
Fim
Top ▲
Janeiro/Fevereiro de 1982
Entre
Novembro de 1980, então com apenas 18
anos, e o início de 1982, Paulo Duarte Filipe
escreveu este Volume I da trilogia
“Estudo Tridimensional do SER”.
Cinco
anos antes, com 13 anos, iniciara um Lento
mas progressivo processo de quase total
ruptura com todos os métodos, por ele assim
considerados, convencionais na
abordagem da escrita.
Esta
presente edição em nada alterou o
manuscrito original que, finalmente, nos
permite conhecer o fabuloso e irreverente mundo
imaginário de Tom S. McRae, jovem
adolescente em plena década de 80, à
procura de um espaço próprio num tempo
em
constante mutação.
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